sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Série A Criatura 23/28


A CRIATURA


A apostila 22 mostrou que num dado momento da vida da Mônada, enquanto usando um corpo humano na face da Terra, ela é impulsionada na direção de seu semelhante, envergando igual roupagem. A razão disso é muito simples. A Suprema Inteligência, ou o Criador Incriado, atua sobre toda a criação através de Suas criaturas.
Sendo Ele o agente aglutinador por excelência, e Suas criaturas originadas de Sua pura energia, estas não poderiam viver indefinidamente dispersas, separadas e insensíveis, umas em relação às outras. A vontade suprema, embora no todo ainda seja incompreensível para nós, promove a aproximação entre os Seres.
Essa força de aproximação atua através de dois sentimentos: o desapego e o perdão que, em resumo, dão a fraternidade. Será nesta modalidade de convivência social que viverá a humanidade da era pós-moderna.
A figura 23A, demonstra esse novo tipo de personalidade humana e a sua contra-parte que se situa nos planos adjacentes.
Igual às vezes anteriores, o representamos em três etapas:
1 - Ativo na vida Física, cercado de afazeres que o aproximam dos semelhantes;
2 - Corpo Físico morto;
3 - Ascendendo ao plano Mental, por justo merecimento.
Esse indivíduo não será apenas intelectualmente desenvolvido, mas também, socialmente fraterno. Esse avanço de conhecimento e os paradigmas de respeito social, alargarão a visão individual de todos os seres, fazendo-os compreender que seus semelhantes são, realmente, seus semelhantes. Em tudo iguais uns aos outros, compreendendo que entre eles não existe a suposta separatividade.
Cada um é uma parcela daquele Todo. Podem se sentir como aquelas gotículas do suco de laranja exemplificada na figura 20A da apostila 20, individualizadas, todavia, saberão compreender que em essência todos são exatamente iguais.
Em razão disso, e como ficou comentado na apostila 18, a humanidade caminha em bloco. Isto é, todos os indivíduos à ela pertencentes transferem-se, simultaneamente, a estágios mais elevados ao final de cada ciclo evolutivo. Do bloco a ser transferido excluem-se, apenas, os indivíduos recalcitrantes que não pautaram seus esforços numa tal direção.
Dado a isso, ao homem dessa era avançada regerá pacificamente o conceito de que todos têm o mesmo direito à vida. Tudo tendendo, portanto, à humanização.
Cabe, aqui, uma explicação. Embora estejamos falando numa coletividade futura deve-se ter em conta que, individualmente, a qualquer momento, ou a qualquer era, também se pode atingir esse estado de consciência. Basta o esforço próprio da pessoa. Entretanto, será, como dissemos na apostila 18 quando historiamos que
"Essas promoções ao reino evolutivo seqüente ao que se encontra, não se dão a todo instante, atendendo um elemento ou outro que se destaque dos demais, como a informação acima possa fazer supor. Não, ela se dá em ciclos certos de mutações, e quando chegam suas épocas, a promoção, ou transferência, atinge não um elemento, mas um lote de elementos daquela espécie em questão."
Todavia, como lá também dissemos, "Se, por ventura, um elemento atingir o máximo evolutivo antes de se completar o ciclo evolutivo da espécie, permanecerá, este, em atividades junto à sua coletividade." Isso é visto em determinadas pessoas da humanidade atual que demonstram total desapego aos bens próprios e se dedicam de corpo e alma à solidariedade para com o próximo. Falaremos disso, mais demoradamente na apostila 27.
A tal indivíduo, uma vez completado seu tempo de vida Física, e entregando seu corpo humano à terra, conforme vemos na figura, poderá, esse bem aventurado, demandar planos mais elevados. Não mais será retido no plano Astral, mas, posto que pela lisura de seus pensamentos e pelas boas qualidades de uso que deles fez, conseguiu também dar forma consistente ao corpo Mental. Assim sendo, usufruirá das vivências no plano Mental, mais venturoso que os dois inferiores.
Mas voltemos à continuidade da exposição que fazíamos quando dissemos que em face dessa elevação social tudo, numa nova era, estará tendendo à humanização. Outra característica que contribuirá para isso é que os intervalos entre encarnações serão bem mais prolongados. O motivo é simples. Intelectualmente bem desenvolvidos e muito espiritualizados, descobrirão naqueles planos importantes objetivos a serem alcançados.
Situação exatamente oposta à do homem primitivo que nos intervalos entre encarnações mal deixava o ambiente físico, para logo a este retornar, visto que seus interesses o fixavam à face da Terra.
Como, também, circunstância diferente à do homem da chamada era moderna, que vimos na apostila 22, quanto à duração do intervalo de permanência no plano Astral, entre uma encarnação e outra.
Nesta nova característica de vivência seu tempo de permanência ali será bem mais dilatado, pois seus olhos verificarão que inúmeras atividades o ocuparão naquelas estâncias e, de boa mente, à elas se entregará. Uma compreensão totalmente objetiva. Sabe que participando das atividades próprias daquele plano estará, também, trabalhando por espiritualizar mais ainda o futuro da Terra física que um dia voltará a recebe-lo.
E´ fácil entender porque os indivíduos residentes naquelas paragens amoldam suas atividades intentando o distante futuro da Terra física. O motivo é o seguinte: Quanto mais elevado, espiritualmente, for o plano de existência, mais ao "futuro" vive aquela humanidade.
Expliquemos: A Eternidade é, como não poderia deixar de ser, um ETERNO PRESENTE. Nela, tudo é um AGORA. Não existe o ontem e nem o amanhã. Lembramos, ainda, que a Eternidade é a essência primordial da qual todas as substâncias provieram.
Uma vez que, gradativamente, a essência vá se coagulando e se tornando matéria mais adensada, começa, então a se formar também a relatividade do tempo.
Densidades diferentes criam tempos diferentes. Essa relatividade é proporcional ao grau de adensamento da matéria de que é composto o plano. Assim, no plano físico da Terra, temos o tempo relativo mais lento de todo o conjunto que forma os planos existenciais deste planeta, porque aqui também temos a matéria mais densa.
Por decorrência, o tempo relativo no plano Astral é mais ligeiro, se comparado com o nosso, porém mais vagaroso que o do plano Mental. E sucessivamente, a cada plano ascendente, o tempo relativo se aligeira, até atingir o estágio do Eterno Presente, onde tudo é Agora.
Desta forma pode-se compreender que um Ser vivente no plano Mental da Terra, vive, "agora", neste exato momento, o tempo de um determinado futuro da Terra física. Em outras palavras isso quer dizer: lá, agora, já se tomam providências que só se materializarão na Terra física daqui a alguns séculos.
Sabemos que tudo isso é intrigante e fascinante, e que nos leva à seguinte conclusão: Realmente muita atividade se desenvolve no plano Mental, pois que aquele presente representa o futuro dos planos Astral e Físico. Diante de tanto a se fazer, é natural que o tempo de permanência ali em muito se dilatará para aqueles que já tiverem a ventura de pisar naquele solo.
A observação sobre o tempo, referida acima, parece extravagante e estapafúrdia ? Pois não é. Além das informações correspondentes que nos chegam via mediúnica, ditadas a médiuns de fidedigna capacidade, tais como Francisco Cândido Xavier, João Nunes Maia, etc, pelos espíritos André Luiz e Miramez, respectivamente, também o ramo mais avançado da ciência, a pesquisa quântica, aponta para a mesma comprovação.
No interessante livro dos pesquisadores Bob Toben e Fred Alan Wolf, por título Espaço-Tempo e Além, publicado no Brasil pela Editora Cultrix, à página 41 encontramos a seguinte nota: "Num campo gravitacional muito intenso relativamente àquele onde o observador está situado, o tempo passa mais devagar e as dimensões contraem-se do ponto de vista do observador." (Grifo do original).
Os autores estão dizendo exatamente o que dissemos linhas atrás. Vejamos isso numa figura.
No quadro superior da figura vemos dois campos gravitacionais. "A" e "B", ambos com a mesma gravidade. Vemos que a marcação do tempo é igual para os dois, em data e hora.
No quadro inferior apresentamos, também, dois campos gravitacionais. "A" e "C". "A" com gravidade intensa, e "C" com gravidade fraca relativa ao campo "A". Vemos que o tempo em "A" marca 4 horas do dia 06-09-2005, enquanto que em "C" temos a data de 06-09-3005.
Esclarecimentos: - 1 - Os tempos indicados na figura são hipotéticos. Apenas para facilitar a visualização; - 2 - Também se referem a campos gravitacionais que tenham a mesma relação de espaço, como por exemplo, o plano Físico da Terra e o plano Astral, também aqui da Terra. Neste caso, o campo menos intenso vive um tempo "futuro" se comparado ao campo mais intenso.
Outra informação interessante que os autores citam é que um observador postado num plano menos denso, digamos o campo "C" de nossa figura, verá que as dimensões do plano mais denso, "A", que esteja à sua frente, estarão, por sua vez, contraídas, em relação ás dimensões de seu plano material.
Einstein, o formulador da teoria da Relatividade, que alterou os rumos de muitas teorias então vigentes, e abriu caminho para tantas outras descobertas, isso em 1905, equacionou essa questão da relatividade do tempo, que aqui estamos tratando para entendermos o que vivemos no plano Físico da Terra e o que se vive no plano Mental, deste mesmo planeta.
A conceituada revista VEJA, em sua edição 1.915 de 27 de Julho de 2005, trouxe extensa reportagem sobre o trabalho de Einstein. Referentemente à questão do tempo e do espaço, à página 103, a revista dá um substancial exemplo. Por título A GRAVIDADE ALTERA O ESPAÇO E O TEMPO, vem a explicação dessa parte da teoria.
A explicação diz o seguinte: "O espaço e o tempo são como uma toalha de mesa esticada. Um corpo colocado sobre essa toalha cria uma vala, [um afundamento] que é a deformação do espaço-tempo. (...) Quanto mais perto se está do centro da deformação, mas lentamente o tempo passa."
E conclui: "Isso explica por que um relógio atômico na superfície da Terra anda mais devagar do que outro colocado num satélite em órbita."
Como vemos, a ciência confirma que a gravidade é que determina o andamento do tempo. Por isso, acreditamos que as citações acima esclarecem o que estamos comentando. Também, todas elas, estão absolutamente de acordo com as informações dadas via mediúnica. Estas informam que os planos mais espiritualizados, e portanto, menos densos, e os seres neles viventes, são mais expandidos que os seus semelhantes situados em posições inferiores. Por isso, os espíritos inferiorizados, apesar de estarem no plano Astral, não conseguem se afastar da superfície da Terra física. Seus perispíritos, muito pesados, são atraídos para cá.
Voltemos ao livro Espaço-Tempo e Além para mais uma informação valiosa ao nosso estudo. Os pesquisadores já nomeados acima, falam da harmonia geral para o cosmo, como comentamos na folha 1, desta apostila, nos referindo à fraternidade. Eles dizem, à página 107: "O CAMINHO DA NOVA ERA - Compreenda as ações arquetípicas. Pense num evento que esteja em harmonia com as ações/natureza arquetípicas. Novos caminhos de mínima ação podem desenvolver-se e construir-se guiando sua percepção para aquela harmonia. E o pensamento torna-se experiência." (Grifo do original)
Pois bem, lembram-se do que comentamos sobre os Arquétipos na apostila 06 ? Se nossas mentes não estiverem tão poluídas pelo meio social em que vivemos, poderemos sentir as influências arquetípicas e, por elas, descobrir o caminho da nova era.
Isso tudo demonstra a diferenciação entre os que habitam a face física da Terra e aqueles que habitam a face do plano Mental desta mesma Terra. Aqui a lentidão e poucos sentidos perceptivos. Lá a ligeireza e maiores atributos de percepção. (Vejam apostilas 15, 16 e 17 da série Mediunidade).

E´ dentro das características acima comentadas que vivem os habitantes do plano Mental e os dos planos mais acima. Harmoniosamente pensando com os Arquétipos, pois é a partir destes que todos os rumos renovadores são tomados. Quanto mais "alto" se sobe, espiritualmente, mais "próximo" se fica dos originadores da criação. A partir daí o "pensamento se torna uma realização", uma concretização.
Como vêm, não só os espíritos falam dessa grandiosidade ocupacional no espaço, mas também as ciências vão chegando às mesmas definições. E já não era sem tempo.
E´ para essa grandiosidade que caminha o homem da era pós-moderna. Expande-se, e mais do que isso, aproxima-se de seus Mestres. Daqui para frente, candidata-se ao próximo ciclo evolutivo, cujo resultado maior é adentrar na era da Angelitude.

Bibliografia
Autor Título Editora

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - questões 166 a 196 - 536 a 540 - 614 a 957 - Livraria Allan Kardec Editora
Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo 5 e capítulo 8 item 5/7 - Livraria Allan Kardec Editora
André Luiz/Francisco C. Xavier - Os Mensageiros - página 216 -
André Luiz/Francisco C. Xavier - No Mundo Maior - cap. 03 páginas 45 e 46 / cap. 04 páginas 55 - 58 - 59 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - págs. 32 - 169 - 172 - 173 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Evolução em Dois mundos - capítulos 01, 03, 04, 05, 12, 16 e 19 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Libertação - páginas 17 - 18 - 60 - 61 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Mecanismos da Mediunidade - capítulos 04 - 10 - 11 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Entre a Terra e o Céu - págs. 54 - 84 - 126 - cap. 21 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Ação e Reação - págs 87 as 97 e capítulo 19 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - E A vida Continua - páginas 69 e 70 - Federação Espírita Brasileira
Annie Besant - A Vida do Homem em Três Mundos - página 62 - Editora Pensamento
Annie Besant - O Poder do Pensamento - Editora Pensamento
Arthur E. Powell - O Corpo Causal e o Ego - Editora Pensamento
Áureo/Hernani T. Santana - Universo e Vida - Federação Espírita Brasileira
Charles W. Leadbeater - O Plano Astral - Editora Pensamento
Charles W. Leadbeater - Compêndio de Teosofia - páginas 13 e 19 - Editora Pensamento
Charles W. Leadbeater - A Mônada - Editora Pensamento
Edgar Armond - Os Exilados da Capela - página 27 - Editora Aliança
Elza Baker - Cartas de um Morto Vivo - páginas 37, 85, 86, 93 - Livraria Allan Kardec Editora
Emmanuel/Francisco C. Xavier - A Caminho da Luz - páginas 28, 31 e 32 - Federação Espírita Brasileira
Emmanuel/Francisco C. Xavier - Roteiro - capítulos 4 e 6 - Federação Espírita Brasileira
E. Norman Pearson - O Espaço, o Tempo e o Eu - páginas 71 e 72 - Edição Particular
Gabriel Delanne - A Reencarnação - Federação Espírita Brasileira
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume I págs: 105-118-145-146-177-257-258-260-266-268-306-308 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - volume II - páginas 56 e 198 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume V - páginas 69 e 90 - Editora Pensamento
Hernani Guimarães Andrade - Morte, Renascimento, Evolução - Editora Pensamento
Hernani Guimarães Andrade - Espírito, Perispírito e Alma - Editora Pensamento
Hernani Guimarães Andrade - Psí Quântico - Editora Pensamento
Itzhak Bentov - Á Espreita do Pêndulo Cósmico - Editora Cultrix/Pensamento
J. B. Roustaing - Os Quatro Evangelhos - Federação Espírita Brasileira
Lancellin/João Nunes Maia - Iniciação - Viagem Astral - Editora Espírita Cristã Fonte Viva
Leon Denis - O Problema do Ser do Destino e da Dor - capítulos 01 - 03 - 04 - 13 - 17 0 18 - 20 ao 24 - Federação Espírita Brasileira
Miramez/João Nunes Maia - Horizontes da Mente - páginas 181 e 185 - Editora Espírita Cristã Fonte Viva
Pietro Ubaldi - A Grande Síntese - Livraria Allan Kardec Editora
Ramatis/Hercílio Maes - Mensagens do Astral - Livraria Freitas Bastos
Zulma Reyo - Alquimia Interior - páginas 254, 255, 312 e 313 - Editora Ground

Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Julho de 1996
Revisão Outubro de 2005

Série A Criatura 22/28


A CRIATURA



Depois de evos que se contam em milhões de anos terrestres, depois de não poucas encarnações junto às sociedades que denominamos de primitivas, nossa Mônada juntou recursos que lhe proporcionaram uma consistência mais sólida do corpo Astral.
As experiências vivenciadas despertaram-lhe a atenção, a criatividade e apuraram-lhe as sensações. Enfim, o fenômeno da inteligência humana começava a se fazer visível no ambiente terrestre. A hostilidade do mundo primitivo ia sendo dominada.
Com toda essa transformação, que de resto acontecia com a sociedade de modo geral, levava à mudança dos costumes. O relacionamento entre os indivíduos se tornava mais estável e tomava outras características. Não é mais aquele bruto.
A figura 22A mostra um indivíduo que podemos classifica-lo de o homem da era moderna.
Como vimos na apostila 21, também aqui fazemos uma representação em três etapas:
1 - Ativo e organizando-se na vida física;
2 - Com o corpo físico já devolvido à terra, devido a morte;
3 - No plano Astral.
Em tudo, muito diferente daquele indivíduo visto na apostila 21. Agora, seus interesses são outros. Além disso, alargou-se, desmesuradamente, seus horizontes imaginativos. Sua fonte de pensamento agora gera um fluxo contínuo e enriquecido pelo raciocínio analítico.
O que veio proporcionar isso foi o concomitante desenvolvimento do corpo Mental, ocasionado por reflexo direto ao desenvolvimento do corpo Astral. Referência que fizemos na apostila 21, quando comentamos trecho de autoria de Emmanuel contido no livro Roteiro. Assim, pois, o homem da era moderna está municiado com o mais poderoso instrumento transformador do mundo: o pensamento crítico e inventivo.
De posse desse manancial inesgotável, mesmo que sendo mal usado, desenvolve atividades sociais e técnicas das mais variadas formas. Tornou-se, por isso, um inquieto e insaciável, sempre em busca de novidades.
Podemos dizer que seu conjunto formado pelos corpos Físico, Astral e Mental, está permanentemente eletrizado por intenso fluxo mental, daí o aumento de atividades. Exatamente o oposto do que acontecia ao homem primitivo.
Esse fator de contínuo despertamento e interesses faz com que, mesmo estando no plano Astral, suas atividades não cessem. E´ o que vemos na figura 22A, etapa 3. Com o desencarne e a transferência definitiva ao plano Astral, lá ele continua dedicando-se às atrações que lhe são adequadas. E como sabemos que o mundo Astral é vasto em possibilidades, logo, não lhe faltará o quê fazer. Com isso, mais expansão adquire seu raciocínio e maior adestramento nas habilidades.
Nesta nova fase um outro acontecimento merece destaque. Trata-se do seguinte: Na fase anterior, a primitiva, como os interesses do indivíduo só estavam centrados no acanhado mundo da selva em que vivia, ao desencarnar, seu corpo Astral permanecia fixado à colônia de seu povo. Em razão disso, a atração por nova vida física o trazia de volta a esta, com pequeno intervalo entre uma encarnação e outra. Isto é, o tempo de permanência no plano Astral, entre uma encarnação e outra, era curtíssimo. Talvez, uns poucos meses.
Nesta nova modalidade de viver, com a dilatação dos interesses, e descobrindo que tanto na vida Física quanto na Astral há muito que aprender e fazer, os intervalos entre encarnações se tornaram mais prolongados.
Obviamente a duração desses intervalos não segue uma regra genérica. Ela é específica a cada indivíduo, tendo-se em conta os acontecimentos que envolvem as motivações de sua encarnação.
O fato, porém, de intervalos entre encarnações durarem algumas dezenas, ou centenas, de anos terrestres, não significa perda de tempo. Em todo esse período, por mais prolongado que seja, estará utilizando-o em atividades que proporcionarão o seguimento de sua evolução. Isso, naturalmente, considerando-se o Ser interessado nessa elevação, pois, como também é sabido, aqui e lá existem os desinteressados de tudo. Aqueles que não sentem atração por saber mais e produzir melhor, em termos espirituais.
Todavia, para aquele indivíduo que já se inteirou dos objetivos da vida, o intervalo entre vidas Físicas se torna de um aproveitamento mais completo. Como resultado disso, seu psiquismo se torna mais dinâmico, seus corpos Astral e Mental mais consistentes, belos e ágeis.
A esse estado de desenvolvimento, aqui na Terra, chamamos de homem intelectualizado. Aquele que sabe fazer uso de seu pensamento para criar e transformar todas as coisas. Os mistérios vão desaparecendo ante sua pertinácia na busca de definições. Mesmo que, no auge dessa busca não saiba fazer uso humanitário e fraterno de todas as suas descobertas.
Contudo, nenhum desses avanços deve ser desprezado, pois até do mecanismo dos encontros bélicos, das guerras, a sabedoria Universal sabe tirar proveito. Um deles, por exemplo, o ensejo de aproximação dos povos, miscigenando-os. Não que a guerra seja desejável. Longe disso, porém, como tem sido inevitável em conseqüência da incúria humana, uma vez que acontece, procura-se, dela, extrair algo de útil em caráter de universalidade. E disso tudo resulta a gradual cessação dos preconceitos separatistas, que é o objetivo final para se atingir o igualitarismo na Terra.
Essa é a razão de a Terra, nessa era de mundo moderno e apesar de tantos povos, estar se transformando numa aldeia global. Os povos estão mais próximos. Só faltam cair as barreiras das fronteiras políticas, pois as geográficas vão sendo, imperceptivelmente, anuladas pela movimentação das gentes e dos interesses comerciais. E, observa-se, para chegar a essa aproximação consensual total entre os povos falta muito pouco.
Esse processo transformativo, embora imperceptível, dado que ele é lento e a vida humana na Terra é, proporcionalmente, curta, pode ser melhor comentado usando-se a figura 22B.
Na etapa "A" vemos as forças aglutinantes, comandadas pelo sentimento de Egoísmo, em sua ação de consolidação do indivíduo. Isso foi visto na apostila 20. Entretanto, como lá dissemos, esse processo de consolidação do indivíduo não prossegue indefinidamente. Num dado momento de sua existência cósmica ele cessa. Pára. Mas surge outro impulso de sentido e direção contrários.
Está em ação o irresistível fluxo ascendente de vida, e sua potencialidade faz inverter a polaridade das forças que atuam sobre o indivíduo. Entra ele na etapa "B", representada na figura. As forças que agora interagem são de tendência expansiva. Partem do indivíduo direcionando-se ao, e buscando o semelhante.
O nome desta nova tendência é sentimento de Fraternidade. Por força deste vai esmaecendo a tendência de pensar só em si, e cresce a vontade de estar junto aos outros. Com eles conviver e, pacificamente, seguirem na senda da evolução.
Referindo-se a esse transformismo, Pietro Ubaldi, no livro A Grande Síntese, capítulo 89, fala do que ele chama de"Evolução do Egoísmo".
A citação de Pietro é basilar e merece ser reproduzida. Diz ele: "Assim como no direito, a força evolve para a justiça, também o egoísmo evolve para o altruísmo. (...) A evolução opera então a demolição progressiva do egoísmo. (...)" (Grifos do original) (página 357) (Livro editado pela Livraria Allan Kardec Editora).
Indo mais além, Ubaldi demonstra que a fraternidade é uma força não só oponente ao egoísmo, mas o resultado direto da transformação natural deste. Faz essa demonstração numa frase em tudo curiosa, ao mesmo tempo em que insofismável, dizendo:
"O Altruísmo nada mais é do que um egoísmo mais amplo" (página 359) - Calma, não se espantem, ele vai explicar o porquê disso.
Segundo ele, o altruísmo é um ato de "Reunir em torno de si, como seus semelhantes, um número cada vez maior de seres (...)" (página 359 de A Grande Síntese) - Realmente, numa análise mais profunda, tal qual se viu Ubaldi inserido, temos de admitir que está correta a forma como ele define a transformação do egoísmo em altruísmo.
A razão é simples, por ter transformado o egoísmo em altruísmo, o indivíduo quer sentir junto a si um número cada vez maior de semelhantes. Esse desejo vem do compreender que a separatividade entre os Seres, que na fase do egoísmo, ilusoriamente, ele sentia, não existe.
Compreende que como todos os demais, ele é, também, só uma partícula do grande e único corpo Cósmico, e que se houvesse a separatividade entre as partículas, que se elas pudessem se isolar umas das outras, como nós os humanos fazemos até nossos vizinhos de rua, então esse corpo se desintegraria, e desapareceria no... NADA.
Como o NADA não existe, então, mesmo contrariadamente a início, o indivíduo passa a sentir a Unidade formada por todos os Seres. Sente-a. Desaparece-lhe a ilusão da separatividade. Tomado de boa vontade, volta-se aos seus semelhantes. Volta-se à sua condição de partícula sadia do único corpo cooperando com a vitalidade do mesmo. Recuperou-se, não é mais a partícula cancerígena.
Sobre essa ilusória idéia da separatividade até a ciência já deu as mãos aos ensinamentos das vetustas religiões orientais, que a tal circunstância dão o nome de Maya.
Numa espetacular descoberta científica o físico francês Alain Aspect, e sua equipe, recentemente, mais precisamente no ano de 1982, constataram que as partículas, como os elétrons, estão capacitadas de se comunicarem umas com as outras, de forma instantânea, mesmo que se encontrem separadas por bilhões de quilômetros. Diz o grande físico: "De alguma maneira uma partícula sempre sabe o que a outra está fazendo".
Ora, uma descoberta dessa nada mais é do que a derrubada do que se imaginava existir, que seria a separatividade entre seres. Não existindo a separatividade entre as partículas, mesmo que grandes distâncias as separem, não pode existir a separatividade entre os indivíduos, pois que seus corpos são constituídos por partículas.
Tem mais; cada partícula sabendo o que as outras estão vivenciando, e, por que não dizer, influenciando-se, significa que cada Ser "sente", subliminarmente, o que os outros vivenciam, e mutuamente se influenciam.
Por isso os místicos já nos ensinaram que enquanto houver, mesmo que seja uma só pessoa na Terra que esteja a sofrer, todas as demais não se sentirão felizes. E toda a Natureza sofrerá. E reagirá a essa dor. - Pensem, então, porque na atualidade, 2005, vemos a sociedade humana tão conturbada, e a Natureza revidando em esforços por ensinar a esta mesma sociedade os meios de correção.
Como podem ver, há muito mistério e muitos desvios, até em nossos sentimentos. O que nos parece tão banal, ou natural, porque são expressões que nascem em nosso íntimo, quando, porém, se exteriorizam, podem fazê-lo de forma mascarada. Difícil dizer, portanto, onde está a autenticidade relacionada ao altruísmo.
Mas isso é questão de fôro íntimo de cada pessoa. E´ ela que gera o sentimento, será ela que dará conta aos registros cármicos. Não nos cabe, portanto, qualquer julgamento, e nem pretendemos uma tal atitude.
Quanto à exposição de nosso tema, egoísmo e fraternidade, muito mais poderia ser citado dessa magnífica obra, A Grande Síntese, contudo, não nos alongaremos tanto. Até porque, ao leitor consciente de sua busca será proveitoso consultar o próprio livro, tirando, por si, as próprias conclusões.
Consideramos que o que foi citado dá para compreender que tudo ao entorno da criatura é o efeito da Lei do Progresso que em seu bojo a vai levando ao encontro de outra sistemática de vida. Sua adaptação a novo passo na existência.
Entretanto, é preciso deixar claro que nossa análise se restringiu, unicamente, ao fenômeno transformativo do Ser, dando ênfase à definição de formas e uso dos corpos que a Mônada utiliza nestes três planos inferiores. Não fizemos nenhuma abordagem mais profunda quanto ao modo de vida de nossa sociedade, conseqüência direta dessa transformação, pois isso será mais bem comentado nas próximas apostilas.
No momento nos competia apenas demonstrar essa modificação que sempre é no sentido positivo, mesmo que, durante seu transcurso ocorram fatos que aos olhos humanos sejam classificados de desagradáveis e repugnantes.

Bibliografia
Autor Título Editora

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - questões 166 a 196 - 536 a 540 - 614 a 957 - Livraria Allan Kardec Editora
Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo 5 e capítulo 8 item 5/7 - Livraria Allan Kardec Editora
André Luiz/Francisco C. Xavier - Os Mensageiros - página 216 -
André Luiz/Francisco C. Xavier - No Mundo Maior - cap. 03 páginas 45 e 46 / cap. 04 páginas 55 - 58 - 59 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - págs. 32 - 169 - 172 - 173 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Evolução em Dois mundos - capítulos 01, 03, 04, 05, 12, 16 e 19 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Libertação - páginas 17 - 18 - 60 - 61 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Mecanismos da Mediunidade - capítulos 04 - 10 - 11 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Entre a Terra e o Céu - págs. 54 - 84 - 126 - cap. 21 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Ação e Reação - págs 87 as 97 e capítulo 19 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - E A vida Continua - páginas 69 e 70 - Federação Espírita Brasileira
Annie Besant - A Vida do Homem em Três Mundos - página 62 - Editora Pensamento
Annie Besant - O Poder do Pensamento - Editora Pensamento
Arthur E. Powell - O Corpo Causal e o Ego - Editora Pensamento
Áureo/Hernani T. Santana - Universo e Vida - Federação Espírita Brasileira
Charles W. Leadbeater - O Plano Astral - Editora Pensamento
Charles W. Leadbeater - Compêndio de Teosofia - páginas 13 e 19 - Editora Pensamento
Charles W. Leadbeater - A Mônada - Editora Pensamento
Edgar Armond - Os Exilados da Capela - página 27 - Editora Aliança
Elza Baker - Cartas de um Morto Vivo - páginas 37, 85, 86, 93 - Livraria Allan Kardec Editora
Emmanuel/Francisco C. Xavier - A Caminho da Luz - páginas 28, 31 e 32 - Federação Espírita Brasileira
Emmanuel/Francisco C. Xavier - Roteiro - capítulos 4 e 6 - Federação Espírita Brasileira
E. Norman Pearson - O Espaço, o Tempo e o Eu - páginas 71 e 72 - Edição Particular
Gabriel Delanne - A Reencarnação - Federação Espírita Brasileira
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume I págs: 105-118-145-146-177-257-258-260-266-268-306-308 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - volume II - páginas 56 e 198 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume V - páginas 69 e 90 - Editora Pensamento
Hernani Guimarães Andrade - Morte, Renascimento, Evolução - Editora Pensamento
Hernani Guimarães Andrade - Espírito, Perispírito e Alma - Editora Pensamento
Hernani Guimarães Andrade - Psí Quântico - Editora Pensamento
Itzhak Bentov - Á Espreita do Pêndulo Cósmico - Editora Cultrix/Pensamento
J. B. Roustaing - Os Quatro Evangelhos - Federação Espírita Brasileira
Lancellin/João Nunes Maia - Iniciação - Viagem Astral - Editora Espírita Cristã Fonte Viva
Leon Denis - O Problema do Ser do Destino e da Dor - capítulos 01 - 03 - 04 - 13 - 17 0 18 - 20 ao 24 - Federação Espírita Brasileira
Miramez/João Nunes Maia - Horizontes da Mente - páginas 181 e 185 - Editora Espírita Cristã Fonte Viva
Pietro Ubaldi - A Grande Síntese - Livraria Allan Kardec Editora
Ramatis/Hercílio Maes - Mensagens do Astral - Livraria Freitas Bastos
Zulma Reyo - Alquimia Interior - páginas 254, 255, 312 e 313 - Editora Ground

Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Julho de 1996
Revisão Agosto de 2005

Série A Criatura 21/28


A CRIATURA

As apostilas 16 a 20, englobando a descrição dos Elementais, historiou o processo transformativo cujo final veio de resultar na consolidação da criatura como Ser Individual. Isto é, a nossa Mônada viajora, depois de percorrer inimagináveis evos é, finalmente, elevada à categoria de Indivíduo. Doravante pensará, decidirá e agirá por sua exclusiva vontade. De conduzido, passa a condutor.
Este coroamento aconteceu quando as forças centralizadoras, o sentimento de Egoísmo, passaram a atuar naquela consciência que se iniciava no reino Humano, criando-lhe o campo psíquico gravitacional para dentro do qual se convergiriam tudo o que lhe fosse de exclusivo interesse.
Daí, dissemos naquela oportunidade, que se estruturava o EGO, de cujas extremadas atitudes temos o termo Egocêntrico.
Entretanto, aperfeiçoar-se nesse novo ciclo que começava não seria assim tão simples, pois que, se as vivências iniciais objetivavam a consolidação total do Ser Individualizado, os instrumentos utilizados para tal, a força centralizadora, não poderia ser usada indefinidamente. No futuro, do relativismo humano, essa polaridade centralizadora teria de ser invertida.
Dentro desse planejamento, foi assim que a Mônada usando seu primeiro corpo humano deu partida à essa fantástica viagem usando o passaporte de Indivíduo.
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Naquele início de uso das vestimentas do corpo humano, os únicos recursos que a Mônada possuía para controlar tal corpo eram os reflexos instintivos oriundos dos reinos anteriores. Em razão dessa escassa disponibilidade de atributos, a vida física se compunha das sociedades que chamamos de primitivas e selvagens
A figura a seguir, 21A, ilustra essa personagem que está demonstrada em três etapas.
1 - Ativo na vida física.
2 - Corpo físico morto.
3 - Em corpo Astral no plano Astral.
O indivíduo está representado na feição de indígena para que melhor caracterize seu aspecto primitivo.
Essa criatura, então, para aquele inusitado início de povoamento das regiões secas do planeta era o que de melhor se dispunha. Portanto, a sociedade em si não era primitiva. Era, apenas, a condição possível naquele tempo, tanto quanto nossa era atual, que a consideramos moderníssima, daqui a cinqüenta mil anos será vista como primitiva.
O nobre instrutor espiritual Emmanuel, em livro de sua autoria, por título A Caminho da Luz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, e editado pela Federação Espírita Brasileira, às páginas 28, 31 e 32, citando as condições iniciais da vida humana no planeta conta que a face da Terra se tornara uma "grande oficina". Os executores de todo o planejamento para dotar o planeta de seres inteligentes, tiveram seus percalços, e assim, os resultados iniciais foram de corpos "monstruosos". Mas prosseguiu-se nas tarefas planejadas e, após aperfeiçoamentos aplicados aos corpos Astrais daqueles principiantes à vida na Terra, logrou-se os melhoramentos estéticos que, com o passar das eras, chegaria ao que vemos, e usamos, hoje em corpo humano.
Emmanuel esclarece ainda que os aperfeiçoamentos aplicados aos corpos Astrais dos principiantes deram-se no plano Astral, nos intervalos entre reencarnações.
Naquele período, portanto, embora dentro da planificação geral pré-estabelecida, na face da Terra tudo ainda era um ensaio, se comparado com os dias atuais, onde, no trabalho de criação das formas, exercitavam-se os estagiários do Cristo Planetário.
Um adendo: No parágrafo precedente dissemos que a vivência daquela época era um ensaio, comparando-se com os nossos dias. Essa qualificação vem por força de que, do alto de nossa vaidade, nos consideramos seres completos, e que nossa civilização é plena em seus desenvolvimentos. Contudo, não ignoramos que os nossos dias também são ensaios, comparando-os com os dias dos milênios porvindouros. Afinal, a evolução é infinita e ininterrupta.
Voltemos ao tema. O indivíduo daquele período, em suas atitudes era pouco mais que um animal, da classe dos irracionais, embora a conformação fisiológica já fosse a humana.
Nesse viver pouco expressivo, novamente repetimos, se compararmos com o de nossos dias, a criatura em suas atividades só atendia os imperativos da fome, da reprodução da espécie e da defesa contra os perigos comuns, e não poucos, de um mundo ainda cheio de conturbações geológicas, e dos ataques dos animais ferozes que se contavam em quantidades imensas.
Pois bem, tinha, então, esse homem primitivo um viver simples que, contudo, eram as experiências evolutivas possíveis dele viver.
Entretanto, quando findava sua vida no corpo físico, (etapa 2 da figura 21A), e se transpunha ao plano Astral, continuava um tímido, (etapa 3 da figura), não compreendendo nada do que se passava, e quase não percebendo a mudança de plano de vida.
Naquele pasmo, permanecia inteiramente inativo, quase que em hibernação. Como seu interesse continuava voltado à vida física que perdera, passava a maior parte do tempo ligado ao ambiente selvagem que deixara.
Portanto, havia passado por uma desencarnação mas não se libertara da atração da vida física. E´ assim que na figura o representamos. Sentado e pasmado, ali está ele no plano Astral. E, obviamente, está ele, ali, em corpo Astral.
Sobre o perispírito, ou corpo Astral, nesta fase inicial do viver no reino Humano, algumas particularidades podem ser citadas. Novamente recorreremos a Emmanuel, agora em seu livro ROTEIRO, também psicografado por Francisco Cândido Xavier, editado pela Federação Espírita Brasileira, capítulo 4.
Ele conjectura, indagando sobre o tempo em que a "Natureza Divina" consumiu para fazer surgir na face da Terra este corpo que serve ao gênero Humano. E na mesma linha de raciocínio objetiva saber o quanto, de tempo, se estruturará o "organismo da Alma".
Valioso questionamento porque se mal damos importância ao fenômeno da associação de dois gametas que fazem surgir um corpo humano, tomando isso como banalidade, pois que não sabemos valorizar o corpo e a Vida, como iremos entender o fenômeno da Alma como ente pré, e pós, vida Física ?
Nessa digressão, e perguntas, esquematiza-se a seqüência evolutiva dos corpos, demonstrando que há uma íntima relação entre o desenvolvimento de um e a repercussão que atinge o outro. Que poderá ser favorável, ou não, a um desenvolvimento consentâneo com o planejamento geral da criação, pois que tudo se encadeia no cosmo. Trocando em miúdos, tudo o que se vive no corpo físico, alimentação, sentimentos e emoções, que evidentemente influenciam sua constituição morfologia, repercute no corpo Astral, igualmente influenciando a constituição dele. Mas isso é assunto sendo detalhado nas séries O Inevitável Despertar e Reconstrução, que, em tempo seqüente será divulgada.
Quanto ao que íamos dizendo, vimos nas apostilas precedentes, reino Elemental, a constituição inicial do perispírito, ou corpo Astral, que André Luiz denominou de protoforma humana - apostila 16 -. Pois bem, dali vem a partida para dar início à primeira encarnação. Uma vez isso acontecido, a primazia sobre o desenvolvimento passa a ser do corpo físico, porque a individualidade está a percorrer o arco ascendente do fluxo irresistível de vida. Lembram-se ? - "Subindo" do Físico ao Astral, deste ao Mental, etc, evolutivamente, tanto na intelectualidade quanto nas formas de manifestação.
Desta maneira, dos trechos de Emmanuel, obtemos a conclusão de que o corpo Físico evolve em forma primeiro que o Astral e o Mental. À proporção que evolve, pela repercussão favorável sobre aqueles, como já se disse acima, promove a consolidação do corpo Astral, e, concomitantemente, do corpo Mental.
Nesse início, comparando-se com o hoje, o corpo Físico é grosseiro; o corpo Astral é um informe ovóide, e o corpo Mental é um informe-ovóide-evanescente. Desenvolvem-se, tomam mais consistência a partir da vida física. (Rever figura 19C, apostila 19).
Portanto, um encadeamento de cujas ações num plano, num determinado momento, depende a "felicidade formativa e evolutiva" de todos os demais corpos.
Agora, reportando-nos ao fato desses indivíduos permanecerem muito quietos no plano Astral, no intervalo entre uma encarnação e outra, Emmanuel, no mesmo capítulo 4 de seu livro Roteiro, enunciado acima, nos conta, como já dissemos noutro parágrafo, que por serem primários na vivência da individualidade, o retorno ao plano Astral, e a permanência ali, se torna como uma hibernação. Não sabem como lidar naquela dimensão.
Isso comprova que o corpo Astral do indivíduo iniciante nas atividades humanas pouco oferece de versatilidade. Sua consistência é algo lerda. Porém, além das informações acima, não poderíamos deixar de comentar, aqui, um brilhante trecho de André Luiz, contido em seu livro Evolução em Dois Mundos, psicografado por Francisco Cândido Xavier - sempre ele - que inegável legado histórico-moral Chico deixou para nossa civilização - uma gratidão eterna é pouco pela sua dedicação - livro esse editado pela Federação Espírita Brasileira, que á página 89, explicita que aquele principiante, embora durante sua vida humana se expresse como valente a enfrentar todos os perigos daquele mundo primitivo, contudo, ao desencarnar, se revela "qual menino aterrado". O ambiente Astral ao qual retorna lhe parece inteiramente estranho. Por causa disso, em corpo Astral, permanece fixado à região física que deixou, ansiando por retornar a esta na condição de humano, outra vez.
E assim se comporta porque lhe falta o principal, um corpo Astral já bem mais constituído. Falta-lhe "suprimento espiritual" condizente.
Portanto, aí está a nossa Mônada viajora em suas primeiras experiências na face da Terra envergando um corpo Humano. Se a experiência é brutal, comparando-se com as vivências futuras que a esperam, todavia é a necessária, e possível, para ofertar o despertamento da consciência frente um corpo tão mais complexo, o humano, e um ambiente tão mais amplo a exigir-lhe decisões sempre diferenciadas das anteriores. Isto é, não mais a repetição dos instintos, mas o acordar da inteligência.
Na próxima apostila vê-la-emos em um degrau acima do bruto.;

Bibliografia
Autor Título Editora

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - questões 166 a 196 - 536 a 540 - 614 a 957 - Livraria Allan Kardec Editora
Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo 5 e capítulo 8 item 5/7 - Livraria Allan Kardec Editora
André Luiz/Francisco C. Xavier - Os Mensageiros - página 216 -
André Luiz/Francisco C. Xavier - No Mundo Maior - cap. 03 páginas 45 e 46 / cap. 04 páginas 55 - 58 - 59 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - págs. 32 - 169 - 172 - 173 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Evolução em Dois mundos - capítulos 01, 03, 04, 05, 12, 16 e 19 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Libertação - páginas 17 - 18 - 60 - 61 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Mecanismos da Mediunidade - capítulos 04 - 10 - 11 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Entre a Terra e o Céu - págs. 54 - 84 - 126 - cap. 21 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Ação e Reação - págs 87 as 97 e capítulo 19 - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - E A vida Continua - páginas 69 e 70 - Federação Espírita Brasileira
Annie Besant - A Vida do Homem em Três Mundos - página 62 - Editora Pensamento
Annie Besant - O Poder do Pensamento - Editora Pensamento
Arthur E. Powell - O Corpo Causal e o Ego - Editora Pensamento
Áureo/Hernani T. Santana - Universo e Vida - Federação Espírita Brasileira
Charles W. Leadbeater - O Plano Astral - Editora Pensamento
Charles W. Leadbeater - Compêndio de Teosofia - páginas 13 e 19 - Editora Pensamento
Charles W. Leadbeater - A Mônada - Editora Pensamento
Edgar Armond - Os Exilados da Capela - página 27 - Editora Aliança
Elza Baker - Cartas de um Morto Vivo - páginas 37, 85, 86, 93 - Livraria Allan Kardec Editora
Emmanuel/Francisco C. Xavier - A Caminho da Luz - páginas 28, 31 e 32 - Federação Espírita Brasileira
Emmanuel/Francisco C. Xavier - Roteiro - capítulos 4 e 6 - Federação Espírita Brasileira
E. Norman Pearson - O Espaço, o Tempo e o Eu - páginas 71 e 72 - Edição Particular
Gabriel Delanne - A Reencarnação - Federação Espírita Brasileira
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume I págs: 105-118-145-146-177-257-258-260-266-268-306-308 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - volume II - páginas 56 e 198 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume V - páginas 69 e 90 - Editora Pensamento
Hernani Guimarães Andrade - Morte, Renascimento, Evolução - Editora Pensamento
Hernani Guimarães Andrade - Espírito, Perispírito e Alma - Editora Pensamento
Hernani Guimarães Andrade - Psí Quântico - Editora Pensamento
Itzhak Bentov - Á Espreita do Pêndulo Cósmico - Editora Cultrix/Pensamento
J. B. Roustaing - Os Quatro Evangelhos - Federação Espírita Brasileira
Lancellin/João Nunes Maia - Iniciação - Viagem Astral - Editora Espírita Cristã Fonte Viva
Leon Denis - O Problema do Ser do Destino e da Dor - capítulos 01 - 03 - 04 - 13 - 17 0 18 - 20 ao 24 - Federação Espírita Brasileira
Miramez/João Nunes Maia - Horizontes da Mente - páginas 181 e 185 - Editora Espírita Cristã Fonte Viva
Pietro Ubaldi - A Grande Síntese - Livraria Allan Kardec Editora
Ramatis/Hercílio Maes - Mensagens do Astral - Livraria Freitas Bastos
Zulma Reyo - Alquimia Interior - páginas 254, 255, 312 e 313 - Editora Ground

Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Julho de 1996
Revisão Outubro de 2005

Série A Criatura 20/28


A CRIATURA



Interrompemos a apostila anterior comentando que nas primeiras encarnações no reino Humano, a individualidade nascente vivencia uma pressão intensa de duas forças oponentes. (Vide figura 19D, apostila 19). De um lado a força das tendências instintivas pressionando para que o indivíduo retorne às práticas, agora impróprias, dos costumes que vivenciou nos reinos anteriores.
Do outro lado o irresistível fluxo de vida, impulsionando na direção do progresso. Neste início de vida individualizada a principal faculdade que atua nesse ciclo evolutivo de vida é o sentimento de Egoísmo. Nessa etapa ele é indispensável. E vejamos porque.
Annie Besant, a ilustre e competente sucessora de Helena Petrovna Blavatsky na condução dos destinos da Sociedade Teosófica, portanto uma respeitável autoridade no assunto, em seu livro O PODER DO PENSAMENTO, editado pela Editora Pensamento, fazendo referência à imposição que melhor caracteriza o Ser, diz que, para a Consciência se tornar a Conhecedora das indescritíveis experiências que vivenciará, terá, antes, que convencionar um sistema que defina a posição entre ela e os corpos que usará. Isto é, definir quem é quem. (Página 51 do citado livro). Vejam isso numa figura.
A figura 20A nos descreve que a Consciência é o verdadeiro Eu, sendo, portanto, o único Conhecedor. Os corpos usados nos diferentes reinos são apenas elementos de contato com ditos ambientes. Ou seja, são instrumentos que tornam possível à consciência fazer-se conhecida e conhecer dali. Comentário a respeito foi feito na apostila 10.
Além disso, a figura também demonstra que a consciência estimula os seus corpos lançando sobre eles seu raio de vida, ao mesmo tempo em que é por estes estimulada. Portanto, uma via de duas mãos de trânsito onde, ao final, todos os extremos são beneficiados.
A Consciência evolui com as experiências colhidas através de seus corpos, enquanto que as matérias que formam estes dão também um passo à frente, pois que na pequenez de seus átomos exercitam-se consciências iniciantes. (Falaremos disso detalhadamente na apostila 24).
Isso significa que entre a Consciência e o corpo de que no momento se utiliza em algum plano de manifestação, há um entrelaçamento lógico e inseparável para que ocorra a duração da vida deste. Conclusão - se houvesse alguma dúvida - : a Consciência é o ente supremo, formador e conservador desse conjunto de que aqui se trata.
Embora, definitivamente convencionado quem é quem, como demonstra a figura 20A, achamos, porém, que os comentários que se seguiram não são suficientes para esclarecer a questão no todo. Por isso seguiremos nas informações.
A consciência, ou a Mônada, ao iniciar suas experiências no reino Humano ainda se encontra misturada a tantas outras, igualmente sem definição própria de rumos a tomar.
Para solucionar a questão é preciso dota-la de instrumento que lhe permita tomar decisões frente a cada situação nova que as experiências, daqui para frente, exigirão, pois que dela, doravante, se cobrará responsabilidades.
Para essa providência entra em cena a força aglutinante chamada Egoísmo.
Esta outra figura, 20B, ajudará na compreensão da razão que justifica ser o sentimento de Egoísmo necessário e indispensável nessa etapa.
No quadro "A" da figura temos o que se poderia chamar de indivíduos iniciais. Os Elementais que estudamos nas apostilas 16 à 18. Destes, ainda não se pode cobrar responsabilidades pois pensam e agem em grupos sob tutela de um Deva diretor.
No quadro "B" aparecem os indivíduos, agora, "separados" uns dos outros. Ao redor de cada um, forças aglutinantes formam um campo gravitacional, respectivo e exclusivo.
Essas forças aglutinantes são o que estamos chamando de sentimento deEgoísmo, e o campo gravitacional, - estamos usando esse nome apenas para nossa conveniência de estudo - , se torna uma espécie de "invólucro" que vem de "separar" um indivíduo do outro.
As palavras "invólucro" e "separar" as colocamos entre aspas porque denominam uma subjetividade. Isto é, em realidade esse invólucro não existe e a idéia de separatividade entre os seres é a mais ilusória das ilusões. (Desculpem a redundância, mas é proposital). Todavia, apesar da subjetividade, são indispensáveis por um longo período da existência inicial no reino Humano.
Prossigamos. Desse desenvolver formou-se a conceituação que a ciência psicológica rotulou de Egocentrismos. Pela ação irradiante de tal campo, os corpos que dita consciência, também chamada de EGO, vier a possuir, serão de exclusivo uso dela.
A figura 20C nos mostra que tudo que aos corpos influir convergirá à única dona, a Consciência Individualizada. Os efeitos de tudo que se originar exteriormente e vier a tocar nos corpos se centrará naquele EGO.
Sem esse magnetismo que é o concentrador da Consciência em si mesma, ela só poderia continuar a vivência cósmica desde que fosse junto a reinos grupais. Jamais viria a ser um Indivíduo tal qual nós nos conhecemos.
Como toda a descrição acima apela, sobremaneira, para a imaginação, para facilitar o entendimento vejamos a seguir um exemplo comparativo numa outra figura.
A figura 20D é uma tentativa para descrever porque nessa fase de formação definitiva do indivíduo o sentimento chamado egoísmo é necessário e até benéfico.
O quadro "A" mostra a metade de uma laranja. A forma de representar a laranja é para tornar visível o que desejamos mostrar: o conjunto dos gomos da fruta. A laranja inteira representa o TODO de um sistema qualquer, no qual se acham encerrados incontáveis indivíduos. Além disso, a palavra sistema faz subentender que há um limite. No exemplo, o limite do sistema é a casca da fruta.
Só para ficar bem claro, repetimos que dentro da casca, ou do sistema, se encerra um número incontável de indivíduos.
O quadro "B", mostra uma parte daquele TODO, ou uma parte do Sistema. E´ um gomo da laranja. Também o representamos partido, no qual se vê inúmeras gotículas do sumo da fruta. Essa parte da figura significa: as gotículas representam os indivíduos pertencentes àquela divisão do Sistema, e a membrana que os envolve, dando forma ao gomo, representa, justamente, a "separatividade" entre as partes do Sistema. Isto é, a membrana separa os indivíduos situados numa partição do Sistema, dos demais situados nas outras partições.
Expliquemos: Num sistema os indivíduos estão separados por classes, ou tipos, conforme os planos nos quais se encontram. Exemplo: os do plano Físico estão separados daqueles outros contidos no plano Astral. Não obstante, embora subjetivamente assim "separados", o Sistema é um só.
Também, por outro exemplo, podemos ver a membrana como divisória de regiões geográficas aqui no plano Físico. Indivíduos que habitam uma cidade e outros que residem noutra cidade. Cada cidade, em si, seria o invólucro que a membrana do gomo da laranja quer expressar. Apesar dos indivíduos de uma cidade estarem, fisicamente, separados dos indivíduos da outra cidade, todos, porém, habitam o mesmo planeta, num dos planos existenciais de um mesmo Sistema.
O quadro "C", mostra, isoladamente, uma gotícula do sumo da fruta. Este é o indivíduo. Embora a seiva contida numa gotícula seja exatamente igual à seiva de todas as demais gotículas da mesma laranja, para não se misturarem e se diluírem entre si, cada gotícula está encerrada numa embalagem cujo invólucro é uma delicada película.
E aqui vai a comparação que se deseja fazer com a descrição feita no início desta apostila: Sendo a gotícula a representação do indivíduo num Sistema, a delicada película que o isola dos demais, representa o sentimento de Egoísmo. Em razão dessa somatória de envoltórios que se superpõem, representados que foram pela casca da laranja e da membrana do gomo, o resultado é a consolidação total do Ser.
Para melhorar ainda mais nosso raciocínio refaçamos a descrição acima usando de outras palavras. O sumo da fruta, usada como exemplo figurativo, é o nosso EU, a consciência ou EGO. A delicada película que envolve a gotícula é o sentimento chamado de Egoísmo.
Nesse início de individualização esse sentimento se torna necessário, como dissemos linhas atrás, para, por seu mecanismo e ação psíquica, fixar naquele Ser o senso de individualidade.
Lembrem-se que ele está recém chegado dos reinos onde as criaturas lá viventes não possuem individualidade, mas, ao contrário, misturam-se anonimamente, desaparecendo no conjunto. Exatamente o oposto do que agora lhe acontece, onde se destaca dos demais por força de sua exclusiva vontade.
Esse senso de individualidade irá, gradativamente, força-lo a substituir os automatismos instintivos pelas tomadas de iniciativas que obrigatoriamente virão, devido ao necessário uso da observação e comparação sobre as experiências que de agora em diante passará.
E´ o despertamento, no indivíduo, a partir do nível físico, daqueles aspectos que se lhe fixaram na etapa de descenso, quando passou pelos planos Átma, Búdhico, Mental Superior, Mental Inferior e Astral. Quais sejam, os aspectos Vontade, Sabedoria, Atividade, Pensamento e Sensação. Nas experiências que agora vai vivendo tem, e terá, as necessárias oportunidades de provar daqueles temperos.
Sem esta alavanca do Egoísmo o indivíduo permaneceria como, e apenas, animal pensante. Seria uma coletividade de anônimos. Jamais individualizados, verdadeiramente. Tal qual se sucede com os gomos da laranja que é espremida. Todo seu caldo, dantes separado em pequenas gotículas, volta a ser um só volume a encher um copo. Naquele volume não se distingue os "indivíduos" que há bem pouco eram gotículas.
Nesse passo progressivo que irresistivelmente o arrasta na direção da evolução, obscurece-se o animal que foi, e desperta o HOMEM !
Outro grande benefício de tudo isso é que, por ser o sentimento de Egoísmo uma força centrípeta, seus impulsos levam a individualidade nascente a solidificar-se em si mesma. Sem ele, como já se disse, ocorreria a possibilidade de, diante dos desafios da vida humana, o indivíduo acovardado preferir "diluir-se" no conjunto para nele desaparecer. Aliás, essa é a impulsão que leva um indivíduo ao suicídio. Ilusória tentativa de fuga e desaparecimento, quando se sente impotente diante dos desafios.
Todavia, depois de definitivamente formada a individualidade, inicia-se no Ser outro processo desenvolvimentista. Desta vez para corrigir as anomalias causadas pelo excesso de centralização do Ser em si mesmo, pois, neste caso, aí sim, este estado de centralização pode torna-lo perigoso para seus semelhantes. Como se trata de assunto de inquestionável importância, ele será tratado ao longo das apostilas 21, 22 e 23.
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Será que agora, após toda essa descrição e exemplos figurativos, deu para entender ? Passemos, então, a um esclarecimento adicional, e também indispensável.
A forma conceitual que na atualidade se atribui ao sentimento de egoísmo, nada se compara com a motivação justa que levou à sua criação. O sentimento condenável não é o mecanismo do Egoísmo de cuja conseqüência tem-se o indivíduo, e que acima ficou esclarecido.
O que se condena é a modalidade de procedimento do homem que, embora intelectualmente desenvolvido, teimosamente se comporta numa continuada exteriorização dos reflexos de suas últimas experiências nos reinos Animal e Elemental.
E essa forma hodierna se torna condenável porque quando se juntam os reflexos do instinto animal somados ao raciocínio analítico que agora possui, temos, como resultado, uma criatura artificiosa no mal. Ou, um criminoso deliberado. Não importa em que instância atue com sua maldade e covardia. Sejam nos crimes da chamada marginalização popular, ou nos que se apresenta como pessoa de bem, engravatado quando homem, ou em estilo socialite quando mulher.
São os executivos(as) das grandes empresas, os(as) políticos(as), os(as) governantes(as), os(as) legisladores(as). E´, de fato, um (uma) criminoso(a) deliberado(a). E´ o requinte da inteligência sendo usado nos planejamentos de ordem negativa. Mas essa questão veremos, com maiores particularidades, quando nosso estudo atingir a análise do homem moderno, nas apostilas que se seguirão.


Bibliografia
Autor Título Editora

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 1º Livro caps. 2, 3 e 4 - 2º Livro cap. 1 - Livraria Allan Kardec Editora
Allan Kardec - A Gênese - páginas 111, 117, 118/140 19ª edição - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - No Mundo Maior - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Evolução em Dois mundos - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Libertação - página 60 - Federação Espírita Brasileira
Annie Besant - A Vida do Homem em Três Mundos - página 62 - Editora Pensamento
Annie Besant - O Poder do Pensamento - Editora Pensamento
Arthur E. Powell - O Corpo Causal e o Ego - Editora Pensamento
Áureo/Hernani T. Santana - Universo e Vida - páginas 59 e 110 - Federação Espírita Brasileira
Charles W. Leadbeater - O Plano Astral - Editora Pensamento
Charles W. Leadbeater - Compêndio de Teosofia - páginas 13 e 19 - Editora Pensamento
Charles W. Leadbeater - A Mônada - Editora Pensamento
Edgar Armond - Mediunidade - página 14 - Editora Aliança
Elza Baker - Cartas de um Morto Vivo - páginas 37, 85, 86, 93 - Livraria Allan Kardec Editora
Emmanuel/Francisco C. Xavier - A Caminho da Luz - Federação Espírita Brasileira
E. Norman Pearson - O Espaço, o Tempo e o Eu - páginas 71 e 72 - Edição Particular
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume I págs: 105-118-145-146-177-257-258-260-266-268-306-308 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - volume II - páginas 56 e 198 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume V - páginas 69 e 90 - Editora Pensamento
Itzhak Bentov - Á Espreita do Pêndulo Cósmico - Editora Cultrix/Pensamento
J. B. Roustaing - Os Quatro Evangelhos - Federação Espírita Brasileira
Pietro Ubaldi - A Grande Síntese - Livraria Allan Kardec Editora
Ramatis/Hercílio Maes - Mensagens do Astral - Livraria Freitas Bastos
Zulma Reyo - Alquimia Interior - páginas 254, 255, 312 e 313 - Editora Ground

Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Julho de 1996
Revisão Outubro de 2005

Série A Criatura 19/28


A CRIATURA



Na apostila 18, descrevendo o reino Elemental, chegamos ao momento em que a Mônada, naquele exercitando-se, vai se transmutar ao reino Humano. Sobre aquele período de transformação, cremos que os comentários contidos nas três últimas apostilas são suficientes para dar uma idéia robusta daquelas criaturas. Inclusive para destituir superstições que envolvam a compreensão do reino Elemental.
A propósito, lembramos que este nosso estudo já preveniu contra as imaginações fantasiosas, e as mistificações comerciais de dois aspectos que rendem, na atualidade, muito dinheiro aos vendedores de livros e quinquilharias chamadas esotéricas. Primeiro na apostila 08 estudando os Devas, também chamados de Anjos, e agora, nestas três últimas, falando de Elementais.
Dois temas exploradíssimos na comercialização aos incautos. Isso acontece porque o povo anda à cata de soluções fáceis para suas idiossincrasias sociais. A qualquer aceno com possibilidades de uma fé comprada, logo se juntam os interessados, iludidos, em torno do oferecedor. Algum tempo depois vem a frustração, pois a ineficácia da solução proposta e comercializada logo se revela.
Mas é assim mesmo. Como dizia o bispo Sinésio, "o que o povo mais gosta é ser enganado." (Vide apostila 07)
Voltemos, entretanto, às motivações destas apostilas, pois não estamos aqui para fazer críticas, mesmo que justas, e sim para esclarecer.
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Naquele momento da vida de nossa Mônada viajora ela vai cruzar a grande fronteira: está deixando o reino Elemental, que podemos classifica-lo de reino da razão fragmentária, e adentra o reino Humano, ou o reino da razão completa e da responsabilidade. A figura a seguir, 19A, esquematiza o resumo dessa longa jornada. Ali são vistas, em blocos, as várias etapas do percurso.

Já na figura 19B representamos essa viagem com mais clareza, desde sua inicial origem, no Todo, até chegar à condição humana.

Comentando essa viagem, André Luiz, espírito, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, em seu livro E a Vida Continua, editado pela Federação Espírita Brasileira, nas páginas 69 e 70, faz belíssima descrição onde, poeticamente, diz que a origem de todas as criaturas é pelo efeito da Coagulação da Luz Divina. (Vide figura 02A na apostila 02, representando esse efeito transformador das energias).
Ou seja, a quintessenciada energia inicial, em sua origem divina, vai se coagulando, num adensamento contínuo, até chegar ao ponto em que dela nos servimos aqui no plano Físico.
A figura 19B mostra "gotas" de energia primordial "caindo" do grandeTODO e se coagulando, gradativamente, em cada plano que é utilizada.
Como a reforçar essa afirmativa, o mesmo André Luiz, agora em seu outro livro, Evolução em Dois Mundos, também pela generosa psicografia do inimitável Francisco Cândido Xavier, editado pela Federação Espírita Brasileira, página 23, ensina que "na essência toda matéria é energia tornada visível".
E outro grande instrutor espiritual, Emmanuel, no livro Roteiro, psicografado por Francisco Cândido Xavier, editado pela Federação Espírita Brasileira, à página 27, comentando esse mesmo transformismo assim diz: "Em seus múltiplos estados, a matéria é força coagulada (...)"
Portanto, como ficou demonstrado nas apostilas precedentes, o que hoje somos, e o corpo que usamos, não é fruto de uma única amoldagem direta na forma completa como nos encontramos.
Nossa capacidade psíquica, e a forma humana que utilizamos, é a soma de incontáveis esforços que promoveram a gradual transformação do Ser e de seus veículos de manifestação. Foi desse somar de esforços que atingimos e nos tornamos do gênero Humano.
Esta outra figura, 19C, no seu todo, descreve o percurso feito até aqui. Vejamos o que ela nos conta.

Do ponto "A" ao ponto "J", temos a respectiva descrição na apostila 16. Prosseguindo dali, temos que inúmeras foram as experiências vividas pela Mônada enquanto no Reino Elemental. Naturalmente tendo esse período consumido alguns milhares de milhares de anos terrestres.
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"K" - Complementada essa fase na qual em seu final o indivíduo já possui um bem elaborado corpo Astral, e um corpo Mental de razoável constituição, conforme ficou demonstrado na figura 18A da apostila 18, retorna a excursionista a nova hibernação, onde aguardará as providência que a encaminharão aos novos planos de ações.
"L" - Vencido esse período de renovação, no qual, como acontecera na mudança do reino Animal ao Elemental em que lhe foram aplicadas complexas operações transformativas, nossa Mônada reativa seu corpo Mental.
"M" - Por reflexo desse fluxo reativador também o corpo Astral como que desperta. Algum tempo se transcorre, tempo em que se tomam providências acessórias para consubstanciar ainda mais estes dois corpos, importantíssimos à fase seguinte.
"N" - Com o corpo Mental apenas razoavelmente definido em seu contorno, porém energeticamente funcionando bem, considerando-se os padrões necessários aquele momento iniciático, providencia-se a preparação final do corpo Astral.
"O" - O corpo Astral adquire a forma humana definitiva. Não é ainda o excelente veículo de um homem que já passou por centenas de vidas humanas, todavia, oferece facilidades acima das encontradas no reino Elemental e, naturalmente, suficientes à primeira "descida" num corpo Humano.
"P" - Inicia sua fase humana. Até que enfim entra na primeira encarnação usando um corpo de homem ou de mulher. Isso depende das tendências predominantes que possui herdada de suas últimas vivências no reino Elemental. Portanto, na figura, estampa-se a grande viagem já percorrida por nós, os humanos desta era atual.
Todavia, essa e algumas outras encarnações a seguir serão estágios preparatórios. Nelas o trabalho principal é fixar o indivíduo em si mesmo, pois doravante passará por incontáveis vivências usando diferentes personalidades, e para que não se perca nesse labirinto, necessário se faz dar-lhe uma âncora para fazê-lo seguro em si mesmo.
Isto é, agora fazendo uso da razão conduzir-se-á sozinho pela vida, que o compromete com a responsabilidade. Por isso, não seria justo permitir-lhe, inicialmente, perder-se no emaranhado dos fatos novos que a vida humana, mais complexa em seu relacionamento entre os indivíduos, exige de cada um.
E´ que, a partir de agora, assume, na acepção do termo, o caráter de individualidade. Intelectualmente está separado de todos os demais. Isso é um grande risco. Para ele não naufragar nesse início, precisa de cuidados adicionais, além dos já recebidos, pois é ainda uma "criança" se comparado ao espírito que já passou por muitas encarnações humanas. Vejamos esses cuidados.
Inicia-se nele o processo de fixação dessa individualidade. Acompanhe pela figura 19D.
Esse processo tem um lento transcurso, pois durante seu andamento dois sistemas de forças estarão interagindo nele.
De um lado as poderosas fixações dos instintos trazidos dos reinos anteriores, pressionando para que as atitudes do presente sejam as mesmas que foram efetuadas no passado.
Vemos, na figura, a seta "Instinto" forçando o indivíduo para sua linha de passado. Isto é, instigando-o às práticas de atendimento apenas aos imperativos da fome, da procriação e da defesa.
De outro lado, confrontando-se com a primeira, atua a irresistível impulsão evolutiva, a seta do "Egoísmo" pressionando-o para a marcha do progresso.
Como seu corpo mental é ainda pouco consistente, não lhe oferece condições de percepções mais profundas sobre os acontecimentos. Por isso, fica só ao sabor dos automatismos contidos no corpo Astral, já razoavelmente desenvolvido.
Para arranca-lo dessa fixação vamos encontrar a principal alavanca: o sentimento deEGOÍSMO. Na figura, como indicado acima, o Egoísmo empurra-o na direção do futuro, enquanto que o instinto impele a repetir o passado.
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Como essa questão é ampla e intrigante, e para não alongar esta apostila, continuaremos seu comentário na próxima. Nesta, a seguir, faremos apenas uma digressão, visando despertar uma reflexão sobre o tema.
E´ o seguinte: A vivência individualizada traz a necessária oportunidade de despertar no Ser o interesse pela tomada de decisões. Coisa que nunca o fez até então.
Porém, se a experiência proporciona o doce sabor da liberdade de decisões, traz, também, o amargo paladar daresponsabilidade, pois, este mundo novo, para acordar no indivíduo o acerto nas decisões, atua como uma armadilha.
Daí, os desarranjos e dificuldades se instalam sobre os menos cuidadosos, pois estes se deixam deslumbrar pelo amplo mundo novo que se lhes descortina. De fato é um mundo belo, mas perigoso.
Assim, nosso viajor somente muito ao futuro veria que a liberdade é uma decorrência da responsabilidade, concluindo que, quanto mais responsável for, mas livre também o será.
Mas essa é uma questão para ser compreendida ao longo da descrição das próximas apostilas. Nossa citação foi apenas para motivar uma reflexão sobre como começou todo o desarranjo do que chamamos de infelicitações na vida humana.


Bibliografia
Autor Título Editora

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 1º Livro caps. 2, 3 e 4 - 2º Livro cap. 1 - Livraria Allan Kardec Editora
Allan Kardec - A Gênese - páginas 111, 117, 118/140 19ª edição - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - No Mundo Maior - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Evolução em Dois mundos - Federação Espírita Brasileira
André Luiz/Francisco C. Xavier - Libertação - página 60 - Federação Espírita Brasileira
Annie Besant - A Vida do Homem em Três Mundos - página 62 - Editora Pensamento
Arthur E. Powell - O Corpo Causal e o Ego - Editora Pensamento
Áureo/Hernani T. Santana - Universo e Vida - páginas 59 e 110 - Federação Espírita Brasileira
Charles W. Leadbeater - O Plano Astral - Editora Pensamento
Charles W. Leadbeater - Compêndio de Teosofia - páginas 13 e 19 - Editora Pensamento
Charles W. Leadbeater - A Mônada - Editora Pensamento
Edgar Armond - Mediunidade - página 14 - Editora Aliança
Elza Baker - Cartas de um Morto Vivo - páginas 37, 85, 86, 93 - Livraria Allan Kardec Editora
Emmanuel/Francisco C. Xavier - A Caminho da Luz - Federação Espírita Brasileira
E. Norman Pearson - O Espaço, o Tempo e o Eu - páginas 71 e 72 - Edição Particular
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume I págs: 105-118-145-146-177-257-258-260-266-268-306-308 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - volume II - páginas 56 e 198 - Editora Pensamento
Helena Petrovna Blavatsky - A Doutrina Secreta - Volume V - páginas 69 e 90 - Editora Pensamento
Itzhak Bentov - Á Espreita do Pêndulo Cósmico - Editora Cultrix/Pensamento
J. B. Roustaing - Os Quatro Evangelhos - Federação Espírita Brasileira
Pietro Ubaldi - A Grande Síntese - Livraria Allan Kardec Editora
Ramatis/Hercílio Maes - Mensagens do Astral - Livraria Freitas Bastos
Zulma Reyo - Alquimia Interior - páginas 254, 255, 312 e 313 - Editora Ground

Apostila escrita por
LUIZ ANTONIO BRASIL
Julho de 1996
Revisão Outubro de 2005